Pressuposto Teórico

O IOCS é um sistema inteligente adaptado dos padrões do Método Clínico Piagetiano, que utiliza provas lógicas de concepções abertas (Desafios Abertos), com base na abordagem de Sistemas Multiagentes (SMA), introduzida pela Inteligência Artificial Distribuída (IAD), constituindo, então, o Sistema de Desafios Abertos Inteligentes ou Intelligent Open Challenges System (BASTOS FILHO et al., 2005b). Tem como características funcionais simular o papel do Experimentador e ser um Objeto de Aprendizagem, ao ser re-utilizado por outras plataformas.

É constituído por três partes principais: Agente Estrategista (AE), Sistema (S) e Usuário (U).

O Agente Estrategista (AE), realiza a mediação entre o Sistema (S) e o Usuário (U), ao adaptar o papel do experimentador do Método Clínico, realiza as seguintes funções no IOCS:

a) Pesquisador, ao analisar o perfil do (U), levantando hipóteses sobre a sua estrutura e o funcionamento cognitivo, no intuito de gerar um padrão de estratégia, fornecendo subsídios para, posteriormente, problematizar o (U), dando continuidade à interação. O perfil do (U) é registrado pelo Agente de Modelagem, a partir da interação (S) x (U) e construído de acordo com as categorias metodológicas adaptadas do Método Clínico Piagetiano.
b) Educador, ao aplicar questões problematizadoras adequadas ao perfil do (U), e discutindo-as com o mesmo, possibilitando, assim, com que o (U) construa sua linha de raciocínio em direção ao entendimento da lógica implicada nos desafios, fornecendo dados ao (S) para nova análise e construção de estratégias, e, desta forma, iniciar um novo ciclo de interações.

O Sistema (S) tem como função trabalhar a questão da aprendizagem, interagindo com o (U) por meio da aplicação de Desafios Abertos, constituídos pela aplicação da lógica-matemática em um incremento lúdico (jogo). A interação do (S) com o (U) tem como finalidade possibilitar situações de construção cognitiva no (U), em dois movimentos: um se dá quando o (S) aplica os desafios contidos na plataforma multiagentes ao (U), provocando-lhe o desencadeamento do processo construtivo reflexionante, através da Abstração Reflexionante, por meio de estágios, fundamentada dentro do mecanismo geral da teoria da Equilibração de Piaget (ver capítulo 3); o outro movimento ocorre quando o (S) interage com o (U), por intermédio do (AE), tornando-se Sujeito da Ação (SUJ), ao realizar a ação sobre o (U), que passa a ser Objeto da Ação (OBJ), levando o (U) a situações relativas a Tomadas de Consciência de suas ações.

Os Desafios Abertos são objetos educacionais programados na linguagem Action Script (ACTION SCRIPT, 2004) construídos, nesse primeiro momento da pesquisa, de acordo com as provas piagetianas que trabalham as Relações Lógico-Aritméticas e a Ordem das Relações Espaciais, encontradas na teoria da Abstração Reflexionante de Piaget (PIAGET, 1995).

Enquanto parte do processo da Abstração Reflexionante, o (U) para solucionar os Desafios, terá que entendê-los, compreendendo a lógica neles implicada (BASTOS FILHO, SILVEIRA, AXT, 2004c). Este processo é formado por três etapas, gradativas: Observação, Fazer para Compreender e Compreender no Pensamento. Na etapa de Observação, o (U), por meio de suas abstrações, fará uma observação e análise do desafio proposto, bem como dos elementos e a lógica neles implicada. Na etapa de Fazer para Compreender, o (S) irá propiciar um estímulo desafiador ao (U), com questões baseadas na contra-argumentação, ou apresentar novos desafios, a fim de desequilibrá-lo na busca de soluções; nessas ações, a Abstração Pseudo-Empírica se mostra presente, já que o (U) irá projetar certas coordenações de ações hipotéticas nos desafios, sendo possível visualizar se houve compreensão ou somente êxito na ação. Na etapa de Compreender no Pensamento, o (S) solicita ao (U) que generalize a lógica implicada nos desafios anteriores a fim de observar o quanto houve de compreensão da lógica, por meio da criação pelo (U) de novos desafios. Para isso, é necessário que a Abstração Refletida se faça presente, trabalhando reflexões sobre reflexões e exigindo a Tomada de Consciência Explicitada.

O Usuário (U), na interação com o (S), poderá desenvolver as funções de: Sujeito da ação (SUJ), Objeto da ação (OBJ) e Mediador da interação (MI). Como (SUJ), o (U) realiza a ação sobre o (S), trabalhando, por meio de suas ações nos desafios, a lógica-matemática, construindo as suas abstrações em relação à lógica implicada. Como (OBJ), o (U) é problematizado pelo (S), mediado pelo (AE), e, a partir de suas ações, é registrado um novo perfil, permitindo com que o (S) possa interagir de modo mais adaptado ao (U), de acordo com o seu atual estágio cognitivo, provocando-lhe Tomadas de Consciência Conceituadas. Como (MI), o (U) entra em ferramenta de comunicação à distância – forchat para discutir e interagir com outros (U) a respeito de melhores soluções para os desafios.


Referencias:
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