DOCÊNCIA

 

2)    O segundo tempo é o tempo das atividades de Docência na graduação em Pedagogia, na forma de uma disciplina opcional – Estudos em Linguagem Interação e Cognição - que criamos para favorecer a participação dos estudantes em projetos específicos, coordenados pelo LELIC/UFRGS[1] (projetos dos pesquisadores do laboratório, ou orientandos ou docentes). Neste semestre e, provavelmente nos próximos, os estudantes entram em contato com crianças – as do projeto, pela via do forchat, uma ferramenta de comunicação e interação desenvolvida por nós e que procura favorecer reuniões virtuais de discussão não hierárquica de tópicos; mas entram em contato também com outras crianças, na forma de entrevistas individuais presenciais –, para identificar-lhes concepções, linguagem, dinâmica de comunicação, saberes e conhecimentos, interesses, curiosidades... Enfim, compreendê-las na dinâmica da vida e do aprender. Este material é avaliado pelos estudantes à luz de estudos teóricos.

Neste primeiro semestre, a turma de alunas da Graduação, dividida em quatro grupos, realizou este trabalho em relação a diferentes conteúdos. Entre outros elementos, foi possível às alunas perceberem  que as crianças levantam hipóteses sobre diferentes temas do cotidiano e que, muitas vezes, estas hipóteses/concepções, não são consideradas nas atividades realizadas em sala de aula. Um dos temas pesquisados foi “a vida”. Em uma das entrevistas/conversa realizada por um grupo de alunas, uma das crianças (F, 9 anos) enunciou:

 

(...)

F –  Ah, eu acho que tem vida aquilo que cresce e depois morre.

P – Por que você acha isso?

F – Ah, porque as plantas têm vida e elas crescem e depois morrem.

P – O que mais você acha que tem vida?

F – O sol.

P – Por que você acha isso?

F – Porque o sol caminha de um lado para o outro lado e daí se esconde (...)

 

A medida que as alunas da Graduação vão “descobrindo” respostas inesperadas dadas pelas crianças, o entusiasmo pelo trabalho vai crescendo. Alguns grupos decidem gravar as entrevistas, outros conseguem filmá-las e este material vai sendo trazido “alegremente” para ser compartilhado e analisado pelo grande grupo.

Além das entrevistas e análises das repostas dadas pelas crianças, os estudantes também analisam livros didáticos em relação aos conteúdos do currículo e, a partir de uma concepção de currículo com eixo sobre a aprendizagem, propõem textos provocativos a respeito de tópicos relacionados ao currículo, para serem postados na biblioteca. Por enquanto os textos são ainda verbais escritos. Mais adiante, há uma idéia de desenvolver com os estudantes a possibilidade de textos multimidiáticos (talvez em dois semestres).

Ao final do semestre, o trabalho da disciplina resulta na produção de dois textos por grupo: (1) um voltado para professores, onde as alunas relatam suas experiências com as crianças, as análises feitas, refletem sobre questões de metodologia de pesquisa,  e (2) um texto infantil que inclui as concepções enunciadas pelas crianças durante o processo de pesquisa. Estes textos já foram realizados em forma de histórias narrativas ficcionais, histórias em quadrinhos, desenhos feitos pelas crianças, e também em forma de textos informativos, em linguagem adequada para crianças, trazendo, por exemplo, diferentes concepções acerca de determinado assunto (caso do trabalho sobre a “morte” que é um tema, segundo as pesquisas feitas pelas estudantes, não abordado nos livros didáticos ou abordado somente a partir de uma única religião, em geral, a católica).[2]

 

Texto Criança

Texto Professor

 


Notas:

[1] Laboratório de Estudos em Linguagem Interação e Cognição, sob minha coordenação, está situado na Faculdade de Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, onde desenvolve suas pesquisas. O LELIC também está integrado ao Centro Interdisciplinar De Tecnologias na Educação, Programa de Pós-Graduação em Informática na Educação. www.lelic.ufrgs.br (em construção).

[2] No caso do trabalho sobre concepções de “morte”, as alunas continuam a pesquisar sobre o tema apesar da disciplina ter sido encerrada. No mês passado, apresentaram este trabalho para estudantes de uma outra Universidade de Porto Alegre.

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