EXTENSÃO

 

Metodologia

 

Como o ambiente de simulação de cidades do CIVITAS vem sendo desenvolvido a partir de um enfoque sistêmico e aberto, a manutenção de um certo equilíbrio neste sistema só será obtida pelas trocas e interações duradouras, normalmente não-lineares, uma vez que o próprio sistema desencadeará certos fenômenos naturais quase que randomicamente. O planeja/estudar/decidir no coletivo alunos/professor torna-se um exercício permanente de obtenção de equilíbrio e estabilidade, mas haverá sempre algo que escapará do controle e produzirá outros efeitos não antecipados, como uma espécie de ressonância que cada subsistema desenvolvido pode desencadear nos demais sistemas e na própria totalidade da cidade.

Dado a complexidade de trabalhar pedagogicamente neste ambiente que o CIVITAS se propõe a construir, a metodologia de formação e aprendizagem se desenvolve em duas situações: i) das inquietações iniciais e ii) da “orientação” da prática pela simulação coletiva no ambiente CIVITAS.

i) Entendemos que para o professor trabalhar pedagogicamente com este tipo de objeto/sistema complexo a que se propõe o CIVITAS, precisamos trabalhar primeiramente com outros sistemas, não menos complexos, mas, pelo menos, com um maior domínio sobre as condições de contorno dos objetos/sistemas estudados. Assim, a metodologia CIVITAS de formação e aprendizagem em serviço se desenvolve num primeiro momento sem a simulação virtual/digital. Nesta etapa, os professores aprendem e trabalham com seus alunos de forma que a metodologia vai se tornando aos poucos indissociada[1] entre aquilo que aprendem e aquilo que ensinam. Os professores partem de leituras e debates sobre teorias pedagógicas e da aprendizagem, construção de hipertextos, manipulação com imagens utilizando câmeras digitais, scanner. Estas tecnologias funcionam como interfaces tecnológicas entre as produções de sala de aula, interações com a natureza, etc e o computador/intranet/internet assim como entre os sujeitos do coletivo que estão interagindo, através do AVENCCA[2]. Aos alunos é possibilitado investigar a partir de suas próprias perguntas, construindo inventos, maquetes de cidade, distritos, bairros... ao mesmo tempo em que constrói textos, incorpora fotos, links com outros textos e outras produções digitalizadas (como pintura a lápis, giz de cera, tempera...) links com o texto de outros. Enfim, uma espécie de memória que permanece sempre influenciando as construções mais recentes e se tramando com elas.

Os professores e os alunos podem partilhar suas produções e reflexões sobre as mesmas, postando diretamente no espaço de publicações do CIVITAS na internet. Outras formas de partilha e aprofundamento sobre estas produções de alunos/professores e da própria metodologia em si (diga-se de passagem que trata-se de uma metodologia que se refaz e se aprimora a todo instante no próprio movimento e envolvimento do grupo) acontece através de seminários e encontros mais abrangentes, em que participam todos os professores de terceira série da rede municipal de ensino e interagem com alunos, professores e pesquisadores sobre as construções/investigações do projeto. Estas interações acabem por produzir efeitos de sentidos nas construções que cada grupo desenvolve paralelamente (implicação/envolvimento do aluno/professor, metodologias de sala de aula, desenvolvimento do ambiente CIVITAS enquanto software de simulação).

Esta etapa dura em média um ano para os professores novos que ingressam no CIVITAS. Uma vez que se apropriam dos princípios básicos da metodologia, o ciclo se repete com seus alunos. A cada ano uma turma de novos alunos ingressam na terceira série do ensino fundamental e precisam construir/apropriar-se gradativamente da mesma forma que os professores. Nesta metodologia do CIVITAS complexidade e formas mais simples e lineares de interagir coexistem, e só aos poucos que uma vai produzindo instabilidades na outra. As trajetórias e histórias de cada um dos sujeitos alunos/professores, a vida inteira de cada um, é convidada a participar e a produzir sentidos ativamente. Entre a possibilidade de manter procedimentos mais lineares e tradicionais encerrando-se na lógica das informações recortadas e empacotados nos livros didáticos (por exemplo), um movimento que pode tender a tornar-se dispersivo e caótico é que opera a atividade intensa do grupo em assegurar certas formas de equilíbrio provisórios. Estes equilíbrios provisórios dizem respeito tanto ao sistema CIVITAS e as formas de sua utilização, como aos sistemas cognitivos/explicativos dos sujeitos interagentes.

 

ii) Na segunda etapa inicia-se a simulação virtual/digital. As condições de contorno já não permitem uma coordenação individual por parte do professor. O sistema ficará mais sujeito a instabilidades e exigirá interações, pesquisa, coordenações de idéias e pontos de vista, ora entre grupos menores, ora entre o coletivo inteiro, como também, em alguns casos decisões individuais.

Na simulação exigirá uma maior persistência dos alunos na investigação e na resolução de conflitos. Há uma irreversibilidade e uma degradação natural que precisa ser vencida com criação e invenção de novas alternativas.

O que será estudado não depende mais de um plano estabelecido a priori, mas de um planejamento que pode ser modificado e transformado no próprio decorrer da simulação. Os problemas se tornam imprevisíveis e a solução tem que ser inventiva e não apenas “copiada”. O aluno precisa trabalhar com um maior numero de incertezas e coordená-las em seu coletivo. As palavras chaves passam a ser não-linearidade, imprevisibilidade, escolhas e bifurcações, mas sem excluir a ordem emergente e o determinismo instável.  

 

 


Notas:

[1] Uma vez que os processos de contruções/aprendizagem dos alunos se constituem juntamente com o espaço da sala de aula objeto de reflexão e de novos conhecimentos dos docentes. Esta etapa da metodologia tem como referência os estudos de Axt e Maraschin (1997) e Axt (1998).

[2] Interfaces de interação entre usuários que apoiará o ambiente CIVITAS.

 

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